Utilização da ultrassonografia para mensuração das características de carcaça de bovinos

A utilização de instrumentos tecnológicos, que aplicados corretamente na prática e junto com um manejo eficiente dos animais pode proporcionar medições acuradas dos componentes de carcaça impossíveis de serem avaliados por métodos visuais. Aliado com genética, manejo adequado e alimentação de qualidade a tecnologia oferece vantagens para o sucesso da pecuária, auxiliando ao produtor obter informações consistentes sobre as características corporais que os animais se encontram (Miller 2001).

A ultrassonografia para avaliação de carcaça de bovinos in vivo teve início no ano de 1950 na Universidade de Cornell, EUA, com resultados duvidosos e discrepantes devido a tecnologia disponível na época (Faria, 2012), em 1980 houve uma mudança para tempo real, com maior eficiência na geração e recepção dos dados da ultrassonografia (Stouffer, 1991).

Uma das tendências do mercado de produção de carne é o acompanhamento do desempenho do animal e avaliação das características da carcaça do animal vivo, avaliando atributos como área de olho de lombo (AOL) e espessura de gordura subcutânea (EGS), possibilitando uma análise prévia da composição da carcaça e o momento ideal para abate, informações estas, que são adquiridas com auxílio da ultrassonografia. Segundo Suguisawa e King (2002), as informações de AOL e EGS permitem o desenvolvimento de estratégias nutricionais específicas para o estágio de desenvolvimento de cada lote, otimizando assim os custos de produção.

O local da coleta de dados nos animais é muito importante, pois os músculos que possuem um desenvolvimento tardio em relação aos demais músculos da carcaça apresentam índices mais confiáveis no tamanho do tecido muscular da carcaça. O Longissimus dorsi é um músculo de maturidade tardia e de fácil mensuração, o que o torna de preferência para este propósito (Sainz, 1996).

Em um estudo comparando diferentes métodos de avaliação da AOL e EGS em bovinos de corte, Prado et al. (2004), encontrou valores significativos de correlação (0,80) entre as medidas de área de olho de lombo por ultrassonografia (AOLU) e diretamente na carcaça (AOLC), indicando que a ultrassonografia pode ser um método eficaz para estimar as características da carcaça in vivo. Luz e Silva et al. (2002), trabalhando com bovinos das raças Nelore e Brangus, inteiros em confinamento, encontraram valor de 0,83 para correlação entre essas medidas.

Muitos estudos e trabalhos realizados com a técnica da ultrassonografia provam a confiabilidade dos dados e mostram altas correlações entre as medidas in vivo e em carcaça, demonstrando que em geral as medidas são relativamente fáceis de serem obtidas e que podem ser bastante confiáveis (PERKINS et al. 1992; BERGEN et al. 1997).

Essas informações mostram que a junção da pecuária e tecnologia tende a gerar bons resultados, otimizando a produção da propriedade rural e auxiliando o produtor a oferecer um produto de qualidade ao mercado. Cabe ao produtor avaliar o setor em que está inserido e se o retorno dos investimentos tecnológicos será viável.

 

BERGEN, R. D.; McKINNON, J. J.; CHRISTENSEN, D. A.; KOHLE, N.; BELANGER, A. Use of the real-time ultrasound to evaluate live animal carcass traits in young performance- tested beff bulls. Journal of Animal Science, v. 73, p. 2300-2307, 1997.

MILLER, R. K. Avaliação instrumental da qualidade da carne. In: Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Carnes, 1., São Pedro, 2001. Anais. Campinas: ITAL, 2001. P. 179-184.

PRADO, C.S. Comparação de diferentes métodos de avaliação da área de olho de lombo e cobertura de gordura em bovinos de corte. Ciência Animal Brasileira, v.5, n.3, p.141-149, 2004.

LUZ E SILVA, S.; LEME, P.R.; PUTRINO, S.N.; KARSBURG, J.H.; DE LIMA, C.G.; LANNA, D.P.D. Estimativa da espessura de gordura subcutânea no abate, por ultra-sonografia em diferentes fases de confinamento. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., Recife, 2002. Anais… Recife: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2002 (CD-ROM).

PERKINS, T. L.; GREEN, R. D.; HAMILIN, K. E. Evaluation of ultrasonic estimates of carcass fat thickness and longissimus muscle area in beef cattle. Journal of Animal Science, v.70, p. 1002-1010, 1992.

FARIA, M. H. A ultrassonografia como critério de abate em bovinos de corte. Pesquisa e tecnologia, vol. 9, n. 1, Jan-Jun 2012.

SAINZ, R. D. Qualidade das carcaças e da carne ovina e caprina. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 33, 1996. Fortaleza. Anais. Fortaleza: SBZ, 1996. p. 3-14.

STOUFFER, J.R. 1991. “Using Ultrasound to Objectively Evaluate Composition and Quality Livestock. 21st Century Concepts Important to Meat-Animal Evaluation” – Wisconsin,pp. 49-54.

SUGUISAWA, L.; KING. R. Ultra-sonografia como Ferramenta de seleção para bovinos de corte em confinamento. Informativo Designer Genes Techinologies Brasil. Embrapa, 2002.

Sobre Tarcísio Ribeiro Paixão

Técnico Ambiental - IFBA Zootecnista - UESB Mestrando em Nutrição e Produção de Ruminantes pelo Programa de Pós Graduação da UESB, Campus de Itapetinga-BA

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