CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DE BOVINOS LEITEIROS

Para se obter lucratividade e rentabilidade na pecuária leiteira, dois fatores continuam sendo essenciais para determinar a sobrevivência e o sucesso econômico do negócio: os custos e a eficiência na produção (WERF, 2006).

O responsável atuante na produção animal potencializa o sistema, criando recursos para uma maior lucratividade e produtividade, garantindo assim a sobrevivência da empresa rural através da sua capacidade contínua de gerar resultados econômicos satisfatórios (POLYCARPO, 2011).

Cuidados nos aspectos de nutrição, reprodução, sanidade, bem-estar e morfologia são de extrema importância para garantir elevados índices de produtividade e longa vida produtiva com eficiência. (MISZTAL et al., 1992; ATKINS et al., 2008).

Estes são os objetivos desafiadores de produtores e profissionais; identificar nas primeiras lactações as vacas que continuarão com altas produções de leite/lactação/dia, apresentando e mantendo uma morfologia funcional e bons índices reprodutivos. A classificação linear para tipo é uma ferramenta importante para criadores e técnicos conhecerem os pontos fortes e os pontos a serem melhorados nos animais, e através da seleção e do acasalamento obter animais longevos e com menores riscos de descarte. (LAGROTTA et al., 2010; PÉRES-CABAL et al., 2002; ESTEVES et al., 2004).

As primeiras avaliações descritivas para as características de tipo de bovinos leiteiros aconteceram por meados da década de 1925 no Canadá e 1929 nos estados unidos, analisando apenas animais puros de origem (SHORT E LAWLOR, 1992). No Brasil, a classificação teve início na década de 1960 (NETTO, 1965).

A classificação para tipo foi desenvolvida inicialmente como uma medida subjetiva da capacidade de produção das vacas, antes do desenvolvimento dos programas de controle leiteiro (McMANUS e SAUERESSIG, 1998).

Em 1979 as características lineares foram implementadas nos programas de avaliação genética dos touros e na sequencia testadas (THOMPSON et al.,1983).

A definição de classificação linear, classificação para tipo ou classificação morfológica, como é conhecido nas raças leiteiras, é metodologia utilizada para a avaliação individual dos animais, analisando as medidas de conformação, comparadas a um padrão de tipo considerado ideal, estabelecido para uma determinada raça (ESTEVES et al., 2004).

De acordo com Campos 2012, a característica linear de tipo é usada como ferramenta referencial para os aspectos morfológicos que contribuem na eficácia dos animais. A classificação é atividade que mensura as características externas dos animais, por meio de profissionais treinados.

A classificação morfológica é uma “ferramenta” para melhorar a conformação das vacas do seu rebanho e aumentar a produção. A conformação ou o TIPO de uma vaca influencia a sua potencialidade de produção e a sua longevidade, assim como a facilidade de trabalho (ordenha, parto, etc.). Quando uma vaca tem um bom tipo funcional, ela terá maior possibilidade de produzir grandes volumes de leite em várias lactações.

Quando a Classificação Linear é utilizada como uma base para a seleção dos touros e das vacas a emparelhar, pode-se melhorar a produção, aumentar o número de lactações, reduzir a taxa de substituição do rebanho e obter um maior rendimento, pelo que se torna um Instrumento valioso para todos os produtores de leite (APCRF).

Os principais objetivos da classificação linear são:

  • Criadores passam a conhecer melhor os seus animais, e valorizar os animais que irão permanecer por mais tempo produzindo no rebanho. (ATKINS et al., 2008);
  • Maior conhecimento dos criadores no momento da venda e compra de animais (seleção);
  • Auxiliar no acasalamento, pois o criador saberá quais características necessita de maior ênfase no processo de melhoramento genético (VALLOTO, 2010);
  • Essencial nas provas de touros (teste de progênie). (COSTA et al., 2013);
  • Estimar os parâmetros genéticos (herdabilidade, correlações, repetibilidade). (COSTA et al., 2013; CAMPOS et al., 2012);
  • Programas de melhoramento genético das raças. (PEDROSA e VALLOTO, 2015);

Como modelo, a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa adotou a partir de janeiro de 2012, a metodologia para avaliação dos animais, correspondendo aos seguintes aspectos a serem analisados.

Conforme descrito no regulamento do serviço de registro genealógico da ABCBRH, no seu artigo 121 e complementa no seu artigo 122 da seguinte forma:

 “Os animais serão classificados em seis classes na pontuação final:

a) Excelente (EX) de 90 a 97 pontos
b) Muito Bom (MB) de 85 a 89 pontos
c) Bom Mais (B+) de 80 a 84 pontos
d) Bom (B) de 75 a 79 pontos
e) Regular (R) de 65 a 74 pontos
f) Fraco (F) de 50 a 64 pontos

 Parágrafo Único – A pontuação final espelha fundamentalmente uma avaliação da utilidade total do animal e não apenas uma somatória de pontos.

1- Fêmeas

a) Força Leiteira (22% ou 22 pontos) composto por: Estatura; Nivelamento Linha Superior; Largura peito; Profundidade corporal; Ângulosidade; Condição corporal.

b) Sistema Mamário (42% ou 42 pontos) composto por: Inserção de úbere anterior; Colocação das tetas anteriores; Comprimento de tetos anteriores; Altura do úbere posterior; Largura do úbere posterior; Colocação das tetas posteriores; Profundidade do úbere; Textura de úbere; Ligamento suspensório médio.

c) Garupa (10 % ou 10 pontos) composto por: Angulo da garupa; Largura da garupa; Força lombar; 

d) Pernas e Pés (26% ou 26 pontos) composto por: Angulo de casco; Profundidade de talão; Qualidade óssea; Pernas – Vista lateral; Pernas – Vista traseira.

Artigo 122 – Nenhuma vaca será classificada excelente se não tiver o mínimo de três crias comprovadas.

a) As vacas de três partos, terão classificação máxima de 93 pontos, com a presença de um classificador;

b) As vacas classificadas de 94 a 97 pontos terão no mínimo 4 partos e a presença de dois classificadores.”

Fonte: Realh

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

     É visível, durante as pesquisas feitas referentes ao tema uma variabilidade de dados, informações e padrões adotados para avaliação. Indo desde metodologias adotadas por associações ou federações de criadores de determinada raça, profissionais especializados que aplicação e utilizam a técnica de Ezoognósia, além de profissionais capacitados a trabalharem nos eventos agropecuários.

     Sendo assim, cabe ao técnico e produtor buscar de modo coerente conteúdos que dêem subsídios fundamentados para classificação dos animais dentro da propriedade e em caso de julgamentos em exposições ou feiras agropecuárias é de inteira responsabilidade do juiz o método adotado e aplicado durante o processo avaliativo.

 

 REFERÊNCIAS 

ALVES NETTO, F. Teste preliminar de progênie de reprodutores leiteiros para tipo e produção. Separata da Revista dos Criadores, dez. 1965.

ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE CRIADORES DE BOVINOS DA RAÇA HOLANDESA.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE BOVINOS DA RAÇA HOLANDESA – ABCBRH

ATKINS, G.; SHANNON, J.; MUIR, B. Using Conformation Anatony to Identify Functionality & Econonics of Dairy Cows. WCDS Advances in Dairy Technology, v. 20, p.279-1562, 2008.

CAMPOS, R. V. Parâmetro Genético Para Características Lineares de Tipo e Produtivas em Vacas da Raça Holandesa no Brasil. 2012. 109f. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS.

COSTA, N. C.; COBUCI A. J.; KERN L. E. et al. Tendências genéticas das características de conformação linear na raça Holandesa no Brasil. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MELHORAMENTO ANIMAL, X., 2013, Uberaba – MG. Anais… Uberaba: Sociedade Brasileira de Melhoramento Animal, 2013.

ESTEVES, A.M.C.; BERGMANN, J.A.G.; DURÃES, M.C. et al. Correlações genéticas e fenotípicas entre características de tipo e produção de leite em bovinos da raça Holandesa. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 56, n. 4, p. 529-535, 2004.

McMANUS, C.; SAUERESSIG, M. G. Estudo de características lineares de tipo em gado Holandês em confinamento total no Distrito Federal. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 27, n. 5, p. 906-915, 1998.

MISZTAL, I.; LAWLOR, T. J.; SHORT, T. H. et al. Multiple-trait estimation of variance components of yield and type traits using an animal model. Journal of Dairy Science, v. 75, n. 2, p. 544-551, 1992.

PEDROSA, V. B.; VALLOTO, A. A.; HORST, J. A. et al. Genetic trends in dairy yield of Brazilian Holstein cow. In: Joint Annual Meeting – ADSA/ASAS, 2015, Orlando. Journal of Dairy Science, v. 98, n. 1, p. 346-346, 2015.

PÉREZ-CABAL, M. A.; ALENDA, R. Genetic relationships between lifetime profit and type traits in Spanish Holstein cows. Journal of Dairy Science, v. 85, n. 12, p. 3480-3491, 2002.

SHORT, T. H.; LAWLOR, T. J. Genetic parameters of conformation traits, milk yield, and herd life in Holstein. Journal of Dairy Science, v. 75, n. 7, p. 1978-1998, 1992.

VALLOTO, A. A. Conformação ideal de vacas leiteiras. In: G.T.D.M. Santos, E. M.; Kazama, D. C. S.; Jobim, C. C.; Branco, A. F. (Ed.). Bovinocultura Leiteira: bases zootécnicas, fisiológicas e de produção. Maringá: Eduem, 2010. p. 143-175.

Werf, J. van der, Kinghorn, B., Ryan, M, Animal breeding use of new technologies; a textbook for consultants, farmes, teachers and for students of animal breeding. Tradução: Carvalheiro, R. et al., Piracicaba-SP: FEALQ, 2006 367. il.

Sobre Alisson Lima

Alisson Lima
Zootecnista, Bacharel pelo Instituto Federal Baiano - Campus Santa Inês. É também Técnico em Agropecuária, formado pela Escola Família Agrícola Mãe Jovina - EFAMJ, onde atualmente é professor e orientador das disciplinas de Zootecnia e Planejamento de Projetos Agropecuários (PPA), ao Curso Técnico em Agropecuária e consultor técnico dos setores produtivos de Forragicultura, Bovinocultura, Suinocultura e Avicultura.

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