A Zootecnia no Brasil,

 

Após o desligamento da ciência que estudava a produção animal da área agronômica, o Conde Gasparin, por volta de 1843, na França, criou a palavra "zootechnie", formada pelos radicais gregos "zoon" e "tecnê", para designar o conjunto de conhecimentos já existentes relativos à criação de animais domésticos. A seguir esta palavra passou a ser adotada por outros povos latinos influenciados pela cultura francesa.Todavia, nesta época, a “Cyclopedia of American Agriculture” vol III, p. 273 de Bailey, registrava o vocábulo “Zootechny” para designar: – a prática; – o conhecimento; – as indústrias ligadas à produção animal.
Desta forma, o objeto da zootecnia é o animal doméstico, ou seja, o animal que pertence a uma espécie criada e reproduzida pelo homem, dotada de mansidão hereditária e que proporciona algum proveito ao homem.
Segundo Domingues (1998), a Zootecnia, para a cultura latina, como ciência, nasceu em 1848, na França, no “Instituto Versailles” com a criação de uma disciplina destinada ao estudo da criação de animais domésticos. O primeiro mestre de Zootecnia é considerado o Professor Emile Vandement. A nova ciência evoluiu, adaptando-se as peculiaridades da Velha Europa e da Nova América, acarretando, em determinado momento, a unificação de currículos. O Brasil usufruiu do embasamento teórico inicial, além da vinda de alguns professores europeus para ministrar aulas em Instituições brasileiras. Por volta de 1907 chega ao Brasil o professor Nicolau Athanassof, graduado em Gembloux, na Bélgica, para atuar como professor de Zootecnia na Escola Agrícola Luiz de Queiroz, em Piracicaba, Estado de São Paulo, onde lançou livros e escreveu folhetos relacionados à área.
No ano de 1929, o Professor Octávio Domingues definiu Zootecnia da seguinte forma: “É a ciência aplicada que estuda e aperfeiçoa os meios de promover a adaptação econômica do animal ao ambiente criatório, e deste àquele”.

 

A implantação do ensino Agrário no Brasil ocorreu, cronologicamente, da seguinte forma:
• 1877 – Escola Superior de Agricultura de São Bento das Lages – BA.
• 1891 – Escola Superior de Agricultura Eliseu Maciel – Pelotas-RS.
• 1901 – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – Piracicaba-SP.
• 1908 – Escola Superior de Agricultura de Lavras – Lavras-MG.

 

No ano de 1910 ocorreu a primeira regulamentação do ensino agrícola superior. Havia, à época, cursos de Agronomia e de Veterinária, estes em menor número. Escolas agrárias foram sendo criadas, chegando a 20 em 1930.
Em 1951 foi criada a Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), congregando Agrônomos e Veterinários que trabalhavam na área, os quais decidiram realizar a 1ª REUNIÃO ANUAL DA SBZ, em Piracicaba, SP, de 26 a 28 de julho de 1951, com o objetivo de apresentar e discutir trabalhos e pesquisas realizados na área da Zootecnia. O Professor Octávio Domingues foi o primeiro presidente da SBZ, tendo seu mandato se prolongado de 1951 até 1968.
Sob a liderança do Professor Octávio Domingues, foi proposto o primeiro currículo para um curso de Zootecnia em 1953 o qual serviu de orientação para os primeiros cursos de Zootecnia.
Neste período, o grande volume de informações científicas geradas na área levou a criação da Zootecnia como um curso da área de Ciências Agrárias.
O primeiro Curso de Zootecnia, no Brasil, foi criado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), na cidade de Uruguaiana, no Estado do Rio Grande do Sul, no ano de 1966, coroando o grande esforço dos professores Mário Vilella e José Francisco Sanchotene Felice. Este fato ocorreu 13 anos após a primeira proposta curricular para um Curso de Zootecnia ter sido elaborada.
A profissão de Zootecnista foi regulamentada em quatro de dezembro de 1968 pela lei federal 5.550. Em 12 de julho de 1969, através do Parecer 406, Resolução n° 6, foi estabelecido o currículo mínimo e a duração para o curso de Zootecnia. Em 1984, foram elaborados novos currículos para os cursos de Zootecnia. Em 1997 através do Edital 04/97 da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura, os órgãos competentes novamente debatem a reforma dos currículos para os Cursos de Zootecnia, a luz das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
O segundo Curso de Zootecnia foi implantado em 1969, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, na cidade do Rio de Janeiro-RJ; o terceiro, em 1970, na Universidade Federal de Santa Maria, na cidade de Santa Maria-RS; seguiram-se outros como os da Universidade Federal de Viçosa, na cidade de Viçosa-MG, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, na cidade de Recife-PE, a da Universidade Estadual Paulista, na cidade de Jaboticabal-SP, dentre outros.
A seguir está apresentada parte do parecer do Professor Octávio Domingues no Processo de Regulamentação da Profissão de Zootecnista.

 

Parecer,
"A criação de um Curso ou Escola de Zootecnia, desmembrando-o das Escolas de Agronomia e de Veterinária, é um fato natural decorrente do progresso e do tremendo desenvolvimento por que está passando a ciência zootécnica mesma.
Trata-se de um fato semelhante àquele que motivou a criação (não sem resistências) de cursos e escolas independentes de Arquitetura, de Economia, de Geologia, desmembrados respectivamente das escolas de Engenharia, de Direito e ainda de Engenharia (esta deu assim duas novas escolas ou carreiras). Medida esta muito sábia, que determinou o extraordinário desenvolvimento, que tomou nossa arquitetura, bem como ainda nossos estudos econômicos e de geologia. E isto sem nenhum prejuízo para ninguém, e com vantagens para o país. O mesmo é o que se pretende para os cursos zootécnicos - sua aglutinação e desenvolvimento, bem preparados do que os atuais agronômicos e veterinários, que têm, na Escola, um mundo de coisas que estudar e cuidar -, coisas as mais diversas, e no meio delas está a Zootecnia sem espaço e tempo para se desenvolver. Na escola própria, serão zootecnistas com tempo a vagar (num curso de quatro anos) para se prepararem a fim de exercerem mais digna e sabiamente a profissão. O mesmo que ocorreu com os arquitetos, economistas e geólogos..."
"...Nada mais justo, nada mais democrático. E também mais estimulador das vocações, para o estudo da ciência da criação, e do exercício das práticas delas decorrentes.
E essa vocação existe em milhares de estudantes brasileiros, que terminam em dois ciclos do ginásio, e vão para a fazenda de seus pais, sem continuarem a estudar, por quê? Porque não há escolas de Zootecnia, e mesmo havendo-as - falta aos profissionais nelas formados a garantia do exercício da profissão de zootecnistas. O exercício legal.

Uma providência do poder público, em tal sentido - é o que está solicitando, sábia e patrioticamente, a Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre.
Esta é a minha opinião, após 45 anos ensinando Zootecnia aos jovens do meu País."


Octávio Domingues
Catedrático de Zootecnia Geral da URB e ex-catedrático da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo."

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